Câncer diagnosticado no papa pode atingir não fumantes, diz oncologista


O câncer de pulmão costuma ser associado ao cigarro, mas também pode surgir em pessoas que nunca fumaram. Muitas vezes, a doença cresce silenciosamente, sem provocar sintomas que chamem a atenção. Foi durante exames de rotina que os médicos identificaram um nódulo no pulmão do papa Leão XIV, de 71 anos. O pontífice passou por uma cirurgia em Roma, e o Vaticano informou, nesta terça-feira (13), que o tumor era um adenocarcinoma pulmonar. Segundo a oncologista Danielli Matias, esse é o tipo mais comum de câncer no pulmão, com cerca de 31 mil novos casos por ano no Brasil.

A descoberta do papa chama a atenção para uma característica da doença: a possibilidade de se desenvolver sem sinais evidentes, mesmo em pessoas que não possuem histórico de tabagismo. De acordo com Danielli, o adenocarcinoma pode atingir diferentes perfis de pacientes. “Ele acomete pacientes tabagistas e não tabagistas, e também é o mais comum entre quem nunca fumou”, afirma.

Esse tipo de tumor tem origem nas células glandulares presentes no tecido pulmonar. Em alguns pacientes, o tumor está frequentemente associado a alterações moleculares, danos ao DNA da célula tumoral que desencadeiam o desenvolvimento da doença. Essas mudanças também podem ajudar os médicos a identificar tratamentos mais adequados para cada caso. “Temos muitos casos de pacientes que nunca fumaram. Existe a possibilidade de cerca de 60% de apresentar alguma alteração genômica”, relata Danielli.

Embora o tabagismo continue sendo o principal fator de risco para o câncer pulmonar, outros elementos podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Segundo o Ministério da Saúde, a exposição à poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, doença pulmonar obstrutiva crônica, fatores genéticos e história familiar de câncer de pulmão favorecem o desenvolvimento desse tipo de câncer.

Uma das dificuldades é perceber quando algo está errado. Tosse persistente, falta de ar e dor no peito são manifestações que podem ser confundidas com problemas respiratórios mais comuns. Em algumas situações, também pode haver sangue na secreção eliminada pela tosse ou perda de peso sem explicação aparente.

O problema é que esses sinais nem sempre aparecem no início. Segundo a especialista, cerca de 80% dos casos de câncer de pulmão no Brasil são identificados em estágios avançados. “A maioria das pessoas só procura o médico quando já está sentindo alguma coisa, e quando o câncer de pulmão dá sintomas, muitas vezes ele já está em um estágio mais avançado”, explica.

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