Depois que a morte chega, uma última decisão pode continuar a história de alguém em outro corpo: a autorização para a doação de órgãos. De acordo com a Central de Transplantes do Rio Grande do Norte, 63% das famílias consultadas no estado recusam a doação, impedindo que órgãos de potenciais doadores sejam destinados a pacientes que aguardam por um transplante. O percentual fica acima da média nacional, de 42%, e a falta de informação das famílias é apontada como uma das principais razões para a recusa. Segundo dados da Central de Transplantes, atualizados em setembro, 1.022 pessoas aguardam por um transplante no RN.
A decisão sobre a doação de órgãos acontece em um dos
momentos mais difíceis para uma família: após a morte de um ente querido. Rose
Moreira precisou tomar essa decisão depois que a mãe, Eliana, teve a morte
encefálica confirmada.
A história de Rose com a doação de órgãos começou antes de
ela precisar tomar essa decisão pela própria família. O marido dela é
transplantado renal e recebeu o rim de um doador falecido após passar seis
meses na fila por um transplante. A experiência fez com que Rose conhecesse de
perto a espera de quem depende de um órgão para continuar vivendo.
“A minha mãe via o processo que eu passei. Ela sempre dizia
que, quando partisse, se pudesse doar os órgãos, era para doar tudo o que
pudesse, porque depois de enterrado não vai servir mais para nada”, lembra
Rose, com saudade da mãe.
Quando a morte encefálica foi confirmada, Rose e os irmãos
se lembraram das conversas que tiveram com a mãe e decidiram autorizar a
doação. “Não tinha como não lembrar de tudo que ela sempre disse que
fizéssemos”, afirma.
Entre a despedida de quem parte e a esperança de quem
espera, existiu a decisão. Quando uma família autoriza a doação de órgãos de um
familiar que morreu, outras vidas podem ganhar uma nova chance.

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